quarta-feira, 5 de junho de 2013

A completa corrupção do homem e o Propósito Eterno de Deus

Isaías 1.1-9

     O moderno neo-pelagianismo, apoiado no humanismo pós-moderno, representado pelos direitos humanos e o individualismo. Insistem em afirmar que o homem é bom, e que se torna mal, devido ao seu desenvolvimento comprometido pelos processos relacionais familiares e interações sociais a que é exposto. Desenvolvendo assim uma tendência errada, violenta contra tudo o que sofreu. Também há o pensamento freudiano que seus problemas e reações emocionais, de qualquer espécie, são resultado das suas frustrações sexuais, a base de toda a realização e felicidade humana. E outras tantas variações destes conceitos que tentam responder e responsabilizar a maldade exibida cotidianamente do homem em todas as suas relações.
     Mas a Palavra de Deus é taxativa em expor literalmente, qual é, realmente, a razão da natureza má e corrupta da humanidade, em suas infindáveis manifestações iníquas.
     Neste trecho de do Livro de Isaías que lemos, assim como Paulo mostra em Romanos nos primeiros capítulos de sua epístola irmã no Novo Testamento, a carta aos Romanos, está mais uma vez a demonstrando a natureza corrompida de todo os seres humanos. Vamos lê-las novamente.
     John MacArthur, em seu comentário desta perícope, os versos um a nove, sugere neste trecho uma cena de um tribunal onde o Senhor está levantando uma acusação contra a nação de Israel.
     O verso declara quem é que está falando – “o Senhor é quem fala”, não Isaias. Esta é uma testemunha que não pode ser desacreditada, pois é fiel. Diferentemente dos profetas falsos de hoje em dia que dizem – “eis que te digo”, estes termos não são encontrados nas Escrituras. Outro ponto a ressaltar neste verso e no terceiro é que Deus faz uma comparação do povo com o boi e o jumento, que apesar de serem animais, parecem bem mais racionais, pois sabem quem é o seu dono, mas com Israel não é assim.
     Na primeira parte do quarto verso o Senhor faz uma tomografia da natureza do Seu povo: “nação pecaminosa, povo carregado de iniquidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram ao Senhor, blasfemaram do Santo de Israel,...”, esta é a acusação do Senhor contra o Seu povo, a Sua nação escolhida. Como duvidar da palavra daquele que é Verdadeiro, que não pode mentir? Na segunda parte deste versículo Deus mostra que sua natureza pecaminosa, faz deste povo uma geração de apostatas, pois - “voltaram para traz”. Mas o Novo Testamento mostra que isso também pode acontecer com o povo Cristão, que foi salvo e regenerado pelo Senhor Jesus Cristo, como adverte o escritor de Hebreus, exortando os cristãos a não retrocederem na fé, pois isto é obra da carne, que não persevera em olhar para “o Autor e consumador da fé”, Jesus Cristo, que nos faz permanecer firmes e não ceder à força da carne corrompida.
     Nos versos cinco e seis, assim como Paulo em Romanos um a três, Isaías relata a completa corrupção da humanidade, “toda a cabeça e coração”. “Desde a planta do pé até a cabeça, não há coisa sã”. Penso que na primeira declaração - cabeça e coração, o profeta esta se referindo à alma e espírito, o ser interior. E quando está se referindo - da planta dos pés à cabeça, está descrevendo a sua estrutura física. Toda a pessoa humana está corrompida, doente e necessitada de cura – “,nem amolecidas com óleo”, aqui está uma plena demonstração da necessidade da obra redentora do Espírito Santo em toda a vida do homem (Jo 18.6; Tt 3.5).
     Nos versos sete e oito o profeta Isaias, mostra as consequências da corrupção humana, que não fica somente no nível individual, corrói também tudo o que ele toca, onde a carne corrupta toca ela contamina (Nm 19.13; Mt 15.11,18). Terra, cidades, lavoura, devastação social, famílias ficam expostas a todo tipo de violência.
     Mas em vista de toda essa corrupção que o homem atraiu para si e para seu entorno, há um Plano Eterno, há uma intervenção nesta situação aparentemente irreversível. “Se o Senhor dos Exércitos” do verso nove está a declaração confiante de Isaías na Aliança de Deus com o homem que foi criado para um Projeto Eterno, que esta sendo desenvolvido na história da humanidade, e que apesar da corrupção, da rebeldia e da apostasia, sempre Ele conservará um remanescente fiel, que será a semente da continuação e conclusão da Sua vontade (Jó 42.2; At 3.18, 24-25; Rm 8,9). “O Senhor dos Exércitos” segundo a profecia de Davi no Salmo 24, é o Senhor Jesus Cristo que venceu a carne, o pecado, a iniquidade e a corrupção de toda a carne, na Sua batalha final na cruz do calvário (Jo 1.29; Jo 19.20; Rm 6.6, Cl 2.11; 3.3).
     Aleluia! Deus está no trono reinando apesar do Diabo, do homem corrupto.

Douglas Bataglião

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A TRINDADE FAMILIAR


          A Trindade Divina criou o ser humano como uma pessoa tridimensional, a fim de conviver numa trindade familiar. Elohim é triúno e fez o gênero humano, macho e fêmea, mas, tricotômico, composto de: corpo, alma e espírito, para viver em trivalência relacional. Este ser equilibrado deveria coexistir em comunidade humanamente afetiva.
           O único lance que destoou na criação física foi a solidão. Apesar de Deus ser exclusivo e indivisível, Ele se manifesta em três pessoas. Não há exílio na dimensão metafísica. O ser Divino é singular e coletivo, ao mesmo tempo. Deus é individual em sua essência e social em sua comunicação. No céu há um ser unitário, mas, também, não solitário. A Trindade é a unidade do anseio coletivo.
Nada pode ser maior do que três pessoas vivendo em plena comunhão. A conciliação das vontades é imensamente maior do que uma única vontade absoluta. Ser três pessoas agindo em irrestrita sintonia tem uma dimensão infinita e mais significativa do que ser uma pessoa com sua vontade soberana agindo por conta própria. O mistério da triunidade fala da onipotência demonstrada no concerto eterno do pluralismo volitivo. Um Deus em três pessoas com uma só vontade.
           A coesão Triúna propõe a integridade da pessoa humana e a conexão da família. Antes de o pecado entrar na história da humanidade, Elohim, o Deus trinitário, instituiu a vida em família. O molde familiar é a própria concordância da Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são arquétipos transcendentais da coerência relacional entre a paternidade, a maternidade e a prole.
           A família é o plural do sujeito ou o coletivo da pessoa. Assim como na Trindade, a vida do lar deveria se ajustar pelo acordo das vontades. O problema foi o pecado. O egoísmo tomou conta das personalidades e a comunhão desandou em contestações. Instaurou-se a confusão dos desejos e o caos social.
           A vida doméstica que, em tese, seria uma orquestra sinfônica, acabou, no final das contas, descompassada e desafinada. O conflito das vontades tornou-se a regra do jogo. Agora, o consenso familiar é uma conquista complicada. Viver em união é algo complexo que exige combinações constantes de todos os membros.     As vontades obesas não conseguem se encaixar em lugares apertados, além do que, conciliar é uma das artes mais difíceis para a sobrevivência social. Uma família unida é coisa rara, e, viver, com o mínimo de atrito, é das artes mais difíceis, exigindo perícia e paciência.
            Mas a lei da unidade deve ser definida assim: “viva de tal maneira que, se todas as pessoas fossem como você e todas as vidas fossem vividas como a sua, a terra seria um paraíso”. Portanto, não há opção: a cruz é o único passaporte do ego. A morte do egoísmo é a sentença e a ressurreição em vida nova, a chance. Não eu, mas Cristo é a solução definitiva para a família.
O velho mendigo do vale estreito, Glênio Paranaguá.

segunda-feira, 25 de março de 2013

PÁSCOA, POR QUE NÃO CELEBRAR?


ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Sl. 11.3).

Tenho observado que os “fundamentos”, ou seja, as bases ou os valores cristãos que foram estabelecidos em nossa sociedade ocidental têm sido destruídos por uma cosmovisão pós-moderna e pós-cristã, que desde o século XVIII tem desprezado os paradigmas cristãos que edificaram nossas vidas, nossas famílias, nossa educação, nossas instituições econômicas e políticas. E estamos já colhendo os resultados desse abandono, com a degradação social, a destruição dos valores bíblicos da família, a consolidação de uma sociedade individualista, voltada para o sucesso pessoal em detrimento do corporativo, e sexista – tendo o sexo como o centro do prazer e da realização, não importando de que forma ele se realiza, o que promove as mais escabrosas distorções, como perversões no relacionamento heterossexual, homossexualismo, bestialismo, pedofilia, dentre outras.  

Inserida nessa realidade, a Igreja não poderia deixar de sofrer seus efeitos, sendo atacada pela secularização do sagrado, pelo ecumenismo religioso, bem como pelo universalismo teológico, que impõe uma unificação religiosa, com vistas à tolerância religiosa, que é totalmente contrária à verdade de que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens. Nessa realidade de “destruição” de valores, as celebrações cristãs históricas e tradicionais, como o Natal, a Páscoa, a ceia, o culto simples e cristocêntrico, têm sido desfiguradas, destituídas de seu simbolismo original, ou, por vezes, desprezadas por uma ala extremada da igreja, que as considera “festas pagãs”.

Não podemos esquecer que a simbologia é um dos instrumentos utilizados pelo Espírito Santo, nas Escrituras, para comunicar verdades da Palavra de Deus. As festas cristãs fazem parte dessa simbologia e tipologia, que celebram eventos da obra de Cristo, e devem ser celebradas como instrumentos de ensino, doutrina e fixação das realidades e verdades centrais da fé cristã, não devendo ser desprezadas nem desfiguradas pela igreja atual, pois foram esses instrumentos que, durante a história da igreja, também influenciaram uma cosmovisão cristã em nossa sociedade ocidental. 

Creio que a desfiguração ou depreciação e abandono dessas celebrações é uma obra de Satanás, e também de uma sociedade secularizada, que se tem afastado dos valores cristãos. E a Igreja, com medo do mundanismo, acaba desprezando as oportunidades de propagar os valores cristãos, por meio da celebração do Natal, da Páscoa, do Pentecostes etc., tanto para os membros de suas comunidades como para a evangelização de não cristãos. Em outras palavras, a Igreja acaba “coando mosquitos e engolindo camelos” (Mt. 23.24), perdendo excelentes oportunidades de redimir a cultura para uma visão cristocêntrica.

Voltemos a celebrar nossas festas cristãs, sim! Obviamente, sem a deturpação que elas vêm sofrendo – motivadas por propósitos mercadológicos que as descaracterizam. Mas voltemos à Palavra de Deus, com temor e reverência, e com a liberdade dos filhos de Deus, de adorá-lO com todas as formas de arte, que foram criadas, também, para o louvor da Sua glória. E voltemos a declarar aos irmãos e aos não cristãos: “Feliz Natal!”, “Feliz Páscoa!”, “Feliz Pentecostes!”, com a mensagem de que esta “felicidade” é propósito de Deus, revelado nas Escrituras e consumado pela obra de encarnação, vida, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!
Douglas A. Bataglião

segunda-feira, 13 de agosto de 2012


                                    OUÇA O HOMEM QUE OUVE A DEUS

     Se quando ouvimos um sermão podemos fixar-nos em apenas uma real joia da verdade, podemos considerar-nos bem recompensados pelo tempo gasto.

     Uma gema assim foi descoberta durante um sermão que ouvi a algum tempo. Do sermão tirei uma sentença valiosa, e mais nenhuma; porém, era tão boa, que lamento não poder lembrar quem era o pregador, para que pudesse demonstrar-lhe reconhecimento. Eis o que disse: “Não ouça a nenhum homem que não consegue ouvir a Deus”.

     Em qualquer grupo de dez pessoas, pelo menos nove acreditam que estão qualificadas para dar um conselho a outras. Em nenhum outro campo de interesse humano as pessoas se acham tão prontas para dar conselho como no campo da religião e da moralidade. Todavia, é precisamente nesse campo que a pessoa média é menos qualificada para falar sabiamente, e é capaz de produzir o maior dano quando fala. Por esta razão, devemos selecionar cuidadosamente os nossos conselheiros. E inevitavelmente, a seleção leva consigo a ideia de rejeição.

     Davi nos adverte contra o conselho dos ímpios, e a história bíblica dá exemplos de homens que fizeram da sua vida um fracasso porque receberam conselho errado. Roboão, por exemplo, ouviu homens que não ouviram a Deus, e todo o futuro de Israel foi afetado adversamente como consequência. O conselho de Aitofel foi uma coisa ruim que se somou grandemente às iniquidades de Absalão.

     Ninguém que não tenha ouvido a Deus falar primeiro tem direito de dar conselho. Ninguém que não esteja pronto para ouvir e seguir o conselho do Senhor tem direito de aconselhar outros. A verdadeira sabedoria moral há de ser sempre um eco da voz de Deus. A única luz confiável para o nosso caminho é a luz que reflete Cristo, a Luz do mundo.

     É especialmente importante que os jovens aprendam no conselho de quem confiar. Estando no mundo por tão pouco tempo, não tem muita experiência e devem buscar o conselho dos outros. E, saibam disso ou não, de fato aceitam todo dia opiniões alheias e as adotam como se fossem deles próprios. Os que se jactam mais agudamente da sua independência, captaram de alguém a ideia de que a independência é uma virtude, e sua própria ansiedade por serem individualistas é resultado da influencia dos outros. São o que são por causa do conselho que seguiram.

     Esta regra de só ouvir os que ouviram a Deus livra-nos de muita armadilha. Todos os projetos religiosos deviam ser provados por ela. Nesta época de incomum atividade religiosa, devemos manter-nos calmos e bem equilibrados. Antes de seguirmos alguém, devemos procurar o óleo em sua testa. Não estamos na obrigação de ajudar em nenhuma atividade de ninguém que não traga em si as marcas da cruz. Nenhum apelo dirigido às nossas simpatias, nem estórias tristes, nem descrições chocantes devem mover-nos para pormos nosso dinheiro e nosso tempo em esquemas promovidos por pessoas ocupadas demais para ouvirem a Deus.

     Deus ainda tem os Seus escolhidos, e este são, sem exceção, bom ouvintes. Eles podem ouvir quando o Senhor fala. Podemos ouvir com segurança esses homens. Mas outros não.

Extraído do livro – A Raiz dos Justos – Vol. 5 – A. W. Tozer

Boa Semana, pr. Douglas Bataglião

A RAIZ DOS JUSTOS

Uma diferença marcante entre a fé dos nossos pais como concebida pelos pais, é que os pais estavam interessados na raiz da matéria, enquanto os seus descendentes atuais parecem interessados somente nos frutos.
Parece ser esta a nossa atitude para com certas grandes almas cristãs  cujos nomes são honrados entre as igrejas, como, pro exemplo, Agostinho e Bernardo em tempos mais antigos, ou Lutero e Wesley em tempos mais recentes. Hoje escrevemos biografias de vultos como esses e celebramos o seu fruto, mas a tendência é ignorar a raiz da qual proveio o fruto. “A raiz dos justos produz o seu fruto”, diz o sábio em Provérbios (12.12). Os nossos pais olhavam bem para a raiz da árvore e se dispunham a esperar com paciência pelo aparecimento do fruto. Nós exigimos o fruto imediatamente, ainda que a raiz seja fraca e cheia de calosidades, ou inexista completamente. Os impacientes cristãos de hoje desculpam as crenças simples dos santos doutros tempos e sorriem da SUS séria abordagem de Deus e das coisas sagradas. Eram vitimas das sua perspectiva religiosa limitada, mas ao mesmo tempo eram grandes e vigorosas alma que conseguiram obter uma experiência espiritual satisfatória e fazer muita coisa boa no mundo, apesar dos seus defeitos. Assim, imitaremos o seu fruto sem aceitar a sua teologia e sem incomodar-nos demasiadamente com a adoção da sua atitude de tudo ou nada para com a religião.
Assim dizemos (ou mais provavelmente pensamos sem dizer), e toda voz da sabedoria, todo dado da experiência religiosa, toda a lei da natureza nos diz quão errados estamos. O galho que se desliga da árvore numa tempestade pode florir brevemente e pode dar ao transeunte despreocupado a impressão de que é um ramo  saudável e frutífero, mas a sua tenra inflorescência logo perece, e o próprio ramo seca-se e morre. Hã há vida duradoura, separada da raiz.
Muita coisa que passa por cristianismo hoje é o brilhante e breve esforço do ramo cortado para produzir o seu fruto na estação própria. Mas as profundas leis da vida estão contra isso.  A preocupação coma a aparência e a correspondente negligência para coma raiz que está fora da vista, raiz da verdadeira vida espiritual, são sinais proféticos que passam despercebidos. Resultados “imediatos” é tudo o que importa, rápidas de sucesso presente, sem pensar na próxima semana ou no próximo ano. O pragmatismo religioso avança desenfreadamente entre os ortodoxos. A verdade é o que quer que funcione. Se dá resultado, é bom. Há apenas uma prova para o líder religioso: sucesso. Tudo se perdoa, exceto o fracasso. Um árvore pode resistir a quase toda e qualquer tempestade se sua raiz é firme, mas quando a figueira que o Senhor amaldiçoou secou “desde a raiz” (Mt 11.20), ela toda “secou” imediatamente. Uma igreja firmemente enraizada não pode ser destruída, mas nada pode salvar uma igreja cuja raiz secou. Estímulos, campanhas promocionais, ofertas em dinheiro, belo edifício – nada pode trazer de volta a vida à árvore sem raiz.
Com um feliz desconsideração pela coerência da metáfora, o apóstolo Paulo nos exorta a atentar para as nossas próprias origens. “Arraigados e alicerçados em amor” (Ef 3.17), diz ele no que é obviamente uma confusão de figuras; e outra vez concita seus leitores a permanecerem “arraigados e edificados nele” (Cl 2.7), o que encara o cristão como uma árvore bem arraigada e como um templo a edificar-se sobre o sólido fundamento.
A Bíblia inteira e todos o grandes santos do passado se unem para dizer-nos a mesma coisa. “Nada considerem como líquido e certo”, eles nos dizem. “Voltem para as fundas raízes. Abram o coração e sondem as Escrituras. Levem sua cruz, sigam o seu Senhor e não deem atenção à moda religiosa que passa. As massas estão sempre erradas. Em cada geração o número dos justos é pequeno. Certifiquem-se de que estão entre ele.”
“O homem não será estabelecido pela iniquidade; mas a raiz dos justos será removida” (tradução literal da versão usada pelo autor).
Extraído do livro – A Raiz dos Justos – Vol 5 – A. W. Tozer

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Como desenvolver uma mente cristã - John W. Stott

"Não seja como o cavalo ou uma mula, sem entendimento" (Sl 32,9), em outras palavras, "Não espere me a guiá-los na maneira que você guiar os cavalos ou mulas, porque você não é um ou o outro. Tem entendimento. " Eram duas mulheres conversando no supermercado e disse ao outro: "O que está errado com você? Você parece muito preocupado. " "Eu sou, eu sou preocupado com a situação no mundo", respondeu o amigo. "Você tem que levar as coisas filosoficamente e parar de pensar", respondeu a primeira mulher. Esta ideia curiosa que, para ser mais necessidade filosófica de parar de pensar. No entanto, estas duas mulheres estavam refletindo o pensamento de hoje. O mundo moderno, deu à luz gêmeos terríveis: um é chamado de falta de inteligência ea falta de outro significado. Em contraste com esta tendência, vemos que a Escritura diz: "Irmãos, não ser crianças no modo de pensar, mas na malícia, ó filhos, mas maduro na maneira de pensar" (1 Cor. 14:20). Note que Paulo proíbe um lado, eles são crianças, e outros comandos que eles sejam, mas em áreas diferentes. Em relação à malícia, disse ser inocente como as crianças, mas em suas mentes tem que ser maduro. A importância da mente O uso adequado da nossa mente produz três benefícios. Primeiro, glorificar nosso Criador. Ser racional o nosso Deus Criador que nos fez seres racionais à sua imagem e semelhança, e ter dado a natureza ea revelação na Bíblia racionalmente espera que usemos nossas mentes para estudar a sua revelação. Ao estudar o universo e ler as Escrituras estão pensando os pensamentos de Deus como ele quer. Portanto, o uso adequado de nossas mentes glorificar nosso Criador. Em segundo lugar, enriquece a nossa vida cristã. Eu não estou falando de educação, cultura e arte que enriquecem a qualidade da nossa vida humana, eu estou falando sobre o nosso discipulado cristão. Nenhuma área do discipulado é possível sem o uso de nossa mente. O louvor é amar a Deus com todo o nosso ser, até mesmo nossas mentes. Fé é confiança razoável e outro exemplo de como Deus nos guia. Em terceiro lugar, reforça o nosso testemunho evangélico. Muitas vezes nos perguntamos: Por que alguns não aceitam a Jesus Cristo? Nós poderíamos dar muitas razões, mas sobre o qual não pensamos o suficiente: eles percebem que o nosso evangelho é trivial, não parece suficientemente amplo para se relacionar com a vida real. Temos que lembrar que os apóstolos evangelizados, como as pessoas fundamentado, e com base nas Escrituras muitos foram persuadidos. Na verdade, Paulo descreve o seu ministério dizendo: "Portanto, conhecendo o temor do Senhor, procuramos persuadir os homens" (2 Cor 5,11). Usando argumentos em nossa evangelização não é incompatível com a fé na obra do Espírito. O Espírito Santo não faz as pessoas vêm para Jesus Cristo, apesar das evidências, mas também atrai as pessoas para Cristo através deles, quando abriu as suas mentes para levá-los em conta. Paulo colocou sua confiança no poder do Espírito Santo, mas de maneira nenhuma deixou de pensar e argumentar. O anti-intelectualismo é uma insultos negativas e destrutivas nosso Criador, nossa vida cristã empobrece e enfraquece o nosso testemunho, o uso adequado da mente de Deus glorifica, enriquece e reforça o nosso testemunho no mundo. A mente cristã Começamos por definir o termo. Primeiro, é a mente de um cristão. Nossa mente tem sido manchada pela queda, também as nossas emoções, nossa vontade, nossa sexualidade. Mas quando vamos a Jesus Cristo a nossa mente começa a ser renovada. O Espírito Santo abre nossas mentes para ver as coisas nunca vistas antes. Portanto, a mente cristã é uma mente que está pensando apenas em questões religiosas, mas uma mente que está pensando se as coisas ainda mais seculares, mas a partir de uma perspectiva cristã! A mente cristã busca a vontade de Deus em casa e no trabalho em nossa comunidade, na ética social e política. A mente cristã é uma maneira de pensar, é um modo cristão de olhar para todas as coisas, a sua perspectiva cristã foi renovada pelo Espírito Santo. É uma mente bíblica, porque é moldado por pressupostos bíblicos. As fundações do pensamento cristão 1) A realidade de Deus A mente cristã reconhece a Deus como a realidade última, dentro e além de todos os fenômenos. A realidade do Deus vivo eo fato de que a Bíblia se concentra em Deus é essencial para a mente humana. A Bíblia é um livro feito por Deus sobre Si mesmo. Poderíamos até dizer que é a autobiografia de Deus. Deus se revela através das Escrituras. Descrito como Criador e Senhor, como Redentor, padre e juiz. Portanto, a mente cristã é uma mente focada em Deus. Deixe-me agora considerar duas implicações dessa verdade. Em primeiro lugar o significado de sabedoria. Sabedoria é um tema importante na Bíblia. Acho que todo mundo gostaria de ter a reputação de ser sábia. O Antigo Testamento contém, além da lei e os profetas, terceira seção chamada literatura de sabedoria que consiste em cinco livros: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão. O Rei Davi eo Rei Salomão viveu muitos e muitos anos, com muitas, muitas concubinas e muitas, muitas esposas, mas quando chegaram a velhice, com muitos arrependimentos, o rei Salomão escreveu os Provérbios e Salmos do rei Davi. Estes cinco livros de sabedoria abrange os seguintes tópicos: O que significa ser um ser humano? Como é que o sofrimento mal, eo amor fazem parte da nossa humanidade? Eclesiastes, por exemplo, é bem conhecido por seu refrão pessimista: ". Sem sentido, sem sentido, tudo é sem sentido" "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade" (1:2), ou Este livro demonstra o absurdo da vida sem Deus. É a falta de sentido da vida humana, portanto, ignora a realidade de Deus. Se a vida é reduzida a um pequeno período de 70 anos, com todo o sofrimento e injustiça que é obtido, e se por tudo termina da mesma forma, em seguida, "sem sentido, sem sentido, tudo é vaidade." Só Deus pode dar sentido à vida. Ele pode converter a loucura humana em sabedoria. Sem Deus, não é apenas tolice e futilidade. Essa é a tragédia do vazio espiritual do mundo hoje e, portanto, a rejeição do secularismo pela mente cristã. O secularismo nega a realidade de Deus e, portanto, destrói a humanidade real. Não só destrona Deus, mas também reduz o potencial de o ser humano é menos do que o seu potencial. O homem sem Deus não é mais humano. A segunda implicação da realidade de Deus é a preeminência da humanidade. A mente cristã é uma mente focada em Deus e, portanto, também uma mente humilde, devido ao caráter teocêntrico da Bíblia. Segundo a Bíblia, nada é tão vulgar como o orgulho, e nada tão atraente e belo como a humildade que nos faz curvar diante do Deus vivo e lembrar que Deus é Deus. A história de Nabucodonosor (Daniel 3-5) é uma grande advertência para nós. Andar no palácio real da Babilônia e falou para si mesmo: "Não é esta a grande Babilônia que eu construí com o meu poder ea glória da minha majestade" Aviso que ele pediu para si o poder, o reino, o glória, a antítese da doxologia, e não surpreendentemente, uma vez que estas palavras saíram de seus lábios, o juízo de Deus caiu sobre ele. Ele foi privado de seu reino e jogado para fora do palácio. Ele viveu com os animais e comeu com eles. Seu cabelo cresceu como penas de águia e suas unhas como garras de aves. Em outras palavras, ficou louco, e só quando ele reconheceu que o Deus Altíssimo governou os reinos humanos, e levantou os olhos em humilde adoração diante de Deus, ele restaurou a sua razão e seu reino. A moral é: aqueles que andam na soberba, Deus humilha. Orgulho e loucura andam de mãos dadas, e também a humildade e da razão. Em nenhum momento atinge a mente para mente cristã forte secular nessa insistência sobre a humildade. Os despreza mente secular a humildade, não as grandes religiões recomendá-lo, e nossa cultura é dominada mais do que pensávamos na filosofia do poder de Nietzsche, que escreveu sobre o surgimento do que ele considerava uma raça que teve a coragem de dominar , foi duro, corajoso. Assim, seu ideal era Superman, enquanto o ideal de Jesus é o filho, e não há possibilidade de compromisso entre estes dois ideais. Nós temos que escolher. A realidade de Deus dá a mente cristã a sua perspectiva em primeira e essencial. A mente cristã se nega a honrar qualquer desonra a Deus. Aprenda a avaliar tudo com base nesta abordagem: dar glória a Deus, ou fazendo a glória de Deus. Esta é a opção, e explica por que a sabedoria é o temor de Deus e porque a humildade é a maior virtude. 2) O paradoxo do humano Como diz a Bíblia à sua própria pergunta? Que é o homem? O que significa ser um homem? Mostrar por um lado, que os seres humanos têm uma dignidade única, como uma criatura feita à imagem de Deus, mas por outro lado, ensina que o homem também tem uma depravação única como um pecador que é culpado diante de Deus. Sua dignidade nos dá esperança, mas a sua depravação define limites para as nossas expectativas. Então temos que manter os dois juntos, e é aí que encontramos crítica cristã muitos de filosofia política moderna. Ou é muito ingênuo otimismo sobre os seres humanos, ou muito negativo em seu pessimismo. A Bíblia, sozinha, detém o equilíbrio. Primeiro vamos nos referir ao otimismo dos humanistas. É verdade que se referem ao homem como nada mais do que o resultado de um processo cego da evolução, mas, no entanto, têm uma enorme confiança no potencial de evolução que os seres humanos têm. Eles acreditam que o homem será capaz de ter a sua história em suas mãos e fazer a si mesmo e sua própria evolução. Isto é muito otimista e não considera torcida egoísmo. Em segundo lugar, os existencialistas, que tendem a ir para o extremo oposto, são pessoas cheias de pessimismo e até mesmo desespero, porque eles dizem que não há Deus, nenhum valor. Nada faz sentido. Tudo é absurdo. Esta conclusão é lógica, se negam a existência de Deus. O escritor americano Mark Twain, que era um humorista pessimista disse: "Se você pudesse fazer um cruzamento entre um gato e um homem, você melhoraria empeorarías homem eo gato". Este pessimismo não leva em conta o amor, a beleza, a beleza, o heroísmo eo auto-sacrifício que marcaram a história da humanidade. Devemos evitar dois extremos: o otimista eo pessimista. A terceira opção é o realismo bíblico. De acordo com o homem Bíblia é um paradoxo estranho e surpreendente: ele é capaz de mais alta nobreza, mas também as mais baixas crueldades. Você pode agir como Deus, em cuja imagem foi feita, mas também podem se comportar como bestas de que tinham de ser diferente. O homem pode pensar, escolher, criar, amar, adorar, mas também pode cobiçar, brigar, odiar e matar. O homem que inventou os hospitais que cuidam de doentes, nas universidades onde o conhecimento é adquirido e as igrejas onde se louvar a Deus, mas também inventou as câmaras de tortura, campos de concentração e bombas de hidrogênio. A mente cristã lembra o paradoxo do ser humano. Estamos nobre, mas ignóbil, mas os insensatos sábio, racional e irracional, moral e imoral ao mesmo tempo, e que cada um de nós sabe. Vamos aplicar esse paradoxo dos seres humanos de uma série de situações. Primeiro vamos ver a questão da auto-estima. Nós todos sabemos a importância da saúde mental, de saber quem somos. Algumas pessoas têm uma visão muito exagerada sobre a sua importância, são pessoas orgulhosas. Mas outros têm muito baixa auto-imagem, eles acreditam que são inúteis, têm complexos de inferioridade, muitas vezes incapacitantes são acentuadas por causa de certos ensinamentos cristãos, e nunca ver a dignidade de um ser humano criado à imagem de Deus. A imagem de nós mesmos vem do fato de que somos criados à imagem de Deus. No entanto, o ser humano é também um produto da queda, e é por isso que Jesus nos chama tanto a negação ea afirmação de nós mesmos. O que somos é devido em parte à criação e, em parte, à queda. Há coisas que eu negar e repudiar, mas tudo que eu sou para a criação e até mesmo para a redenção em Cristo não nega, mas o que eu digo. Isto pressupõe um entendimento da doutrina bíblica do homem. Agora, para o processo democrático. Nós todos sabemos que a democracia tem como objetivo ser um governo do povo e para o povo, e qualquer que seja a nossa persuasão política, a maioria dos cristãos apreciá-lo, eles querem estar do lado da democracia, porque é a forma mais segura governo já inventado e reflete o paradoxo do ser humano. Leve a sério a criação, a dignidade dos seres humanos, e que se recusa governar sem o seu consentimento. Ele dá aos humanos participação na tomada de decisões. Ele trata os seres humanos como adultos responsáveis. Por outro lado, a democracia também tem em conta a queda, porque se recusa a concentrar o poder nas mãos de poucos. Democracia se espalha poder e, portanto, protege os seres humanos a partir de si mesmos e sua loucura. Esta é a maneira Reinhold Niebuhr resumiu: "A capacidade do homem para a justiça torna a democracia possível, mas a tendência do homem para a injustiça torna-se necessário". Concluo, referindo-se ao progresso social. Poderia ter progresso social no mundo de hoje? O mundo pode ser um lugar melhor? Algumas pessoas têm uma enorme confiança na ação social. Criar um sonho utópico e esquecer o egoísmo do homem incorrigível. Outros vão ao extremo oposto, são tão pessimistas dizem que é impossível mudar a sociedade e não vale a pena tentar, mas eles se esquecem que os seres humanos ainda conservam algo da imagem de Deus e que mesmo aqueles que não são regenerados podem ter uma visão de uma sociedade justa, pacífica. Quase todo ser humano regenerado ou não regenerado, prefere a paz à guerra, a opressão, justiça e ordem ao caos. Assim, para alguns progressos medida social é possível. Eu acho que ele tem um grau de estado de equilíbrio o seguinte: "É impossível melhorar a sociedade, mas é perfeitamente possível para melhorá-lo." Paulo recorda-nos ver como o paradoxo do ser humano: "Porque eles mesmos declarar sobre nós qual a entrada que tivemos, e como se voltaram para Deus dos ídolos para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura "(1 Ts. 1:9-10). Por um lado, o homem deve se voltar para Deus e servir ao próximo e, conseqüentemente será assistida na presença e poder de Deus para mudar e melhorar o seu mundo. Mas por outro lado, deixará de aperfeiçoar o vosso mundo, porque a maldade humana continue a operar e ser julgado e eliminado pelo Senhor Jesus Cristo na sua vinda. Então, nós servirmos ao Deus vivo, fazendo boas obras e tentar mudar e melhorar a sociedade, enquanto esperamos pela perfeição eo julgamento final vai trazer Jesus Cristo na sua vinda. Em suma, devemos nos lembrar de nossa vocação de cristãos a 'dupla escuta. " Ou seja, a mente cristã será receptivo à revelação de Deus para ter uma visão realista da vida e teocêntrica, e estar atento para o mundo a tomarem medidas concretas na história, fazendo o mal de bem e de luta. A mente cristã não está preocupado apenas com Deus, sem reconhecer e engajar-se em realidade humana, não é escapista. A mente cristã não é fixada apenas no mundo dos humanos, ou tentar interpretar e mudar a partir de uma perspectiva puramente humana e recursos. Não é nem otimista nem pessimista infundada esperança. A mente cristã tem que ouvir a Deus e ao mundo ao seu redor. Esta tarefa de formação de uma mente cristã escuta de Deus e do mundo não é o trabalho dos cristãos sozinho. É mais uma tarefa que exige uma comunidade cristã como um todo. A Igreja deve ser, na prática, uma "comunidade hermenêutica." Parte da tarefa da Igreja é ouvir a Palavra de Deus juntos para descobrir a mente de Deus, ea realidade atual para entender o que está acontecendo. É neste "duplo-escuta" da Palavra e do mundo, e na companhia e interação com outros membros da Igreja de Deus, que está desenvolvendo uma mente cristã. Que Deus nos conceda a graça de se esforçar para pensar como cristãos. Extraído da revista ANDAIMES, Volume III, 1996 (pós-modernismo, uma perspectiva cristã).

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Fragilidade do Cotidiano



Por Robert J. Tamasy

“A vida é tão frágil!” Um amigo recentemente fez esta significativa observação enquanto falávamos sobre a repentina adversidade que um amigo comum estava enfrentando. Ás vezes parece-nos que a vida não poderia ficar melhor. Gostaríamos de pegar esse momento, armazená-lo numa garrafa para saboreá-lo eternamente.

Mas, de repente, as coisas mudam de forma dramática e inesperada. É um pneu furado que interrompe a sonhada viagem de férias; uma despesa inesperada no orçamento finalmente equilibrado;
o diagnóstico sombrio de uma saúde; mudança no controle ou gestão da empresa onde trabalhamos; um fenômeno natural destruidor; a perda inesperada do emprego; crise familiar que não nos apercebemos..

O amigo comum citado tinha recebido uma notícia chocante: um membro da família contraiu uma doença mortal durante uma viagem em serviço ao exterior. Faleceu dias depois. Nem mesmo os melhores cuidados médicos puderam deter o avanço da doença ou curá-la. Reveses imprevistos da vida ainda nos pegam despreparados. Como reagir? Tornando-nos cínicos e resignados com a realidade da “lei de Murphy”? ( o pior sempre me acontece) Ou descobrir esperança em meio a circunstâncias aparentemente desesperadoras?

A Bíblia fala muito sobre esperança em termos de segura e confiante expectativa. Quando nosso mundo parece abalado em seus fundamentos, ela declara:“Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso Deus é fogo consumidor!” (Hebreus 12.28-29).
Recordo as vívidas imagens de TV exibindo mansões de luxo em chamas depois que um terremoto atingiu Califórnia anos atrás. Os que ali viviam ficaram arrasados, vendo suas casas e bens pessoais serem consumidos. Se a “esperança” deles estivesse depositada apenas em bens materiais, seria compreensível que se sentissem desesperados, porque esses bens podem ser perdidos num piscar de olhos. Mas se estiver firmada no que é Eterno e não no que é passageiro o fundamento permanecerá seguro.
Esperança confiante. Ela deve estar firmada na fé, na confiança em Deus e em Suas promessas para todos quantos O servem e O seguem. “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11.1).
Esperança paciente. O objeto de nossa esperança pode não chegar tão rápido quanto queríamos. Paciência é elemento importante da esperança. Baseia-se no caráter de Deus e em Seu ativo envolvimento em cada aspecto de nossa vida. “Pois nessa esperança fomos salvos. Mas, esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo? Mas se esperamos o que ainda não vemos, aguardamo-lo pacientemente” (Romanos 8.24-25).
Esperança com expectativa. Os seguidores de Cristo no mundo profissional e de negócios anseiam pela Sua volta. Enquanto isso, devemos ser fiéis no cumprimento do chamado que Ele fez a cada um de nós, no ambiente de trabalho e em nossos lares. “Enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tito 2.13).
Questões Para Reflexão ou Discussão
1. Você já teve que lidar com situações difíceis que exemplificam a afirmação de que “a vida é tão frágil”? Que impacto causaram à sua vida?
2. Como você geralmente reage quando seus planos, mesmo os de menor importância, são frustrados ou interrompidos por acontecimentos inesperados?
3. Qual é a base de sua esperança nesta vida? Como você reage quando a fonte de sua esperança não satisfaz suas expectativas?
4. Ao ler afirmações da Bíblia sobre esperança qual é sua reação? Você acha que esperança baseada nas promessas de Deus é racional, ou é apenas pensamento positivo?


Se desejar considerar outras passagens da Bíblia sobre o tema leia: Romanos 15.13; Efésios 1.18-21; Colossenses 1.5,27; I Tessalonicenses 4.13-18.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Façamos um nome

de Dorian Anderson Soutto


Edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. Gênesis 11:4
Quando eu trabalhava com artes gráficas o que mais se ouvia era: "Um nome é tudo!". E desde que me conheço por gente sempre me preocupei com o meu nome, o que as pessoas iriam pensar, ou o que fazer para que meu nome sobressaísse sobre os outros nomes. Na roda de amigos eu tinha que fazer alguma gracinha, ou comentar algum assunto que atraísse a atenção para mim. Tinha que usar roupa da moda, falar a gíria do momento, saber o que se passava na TV e ouvir as músicas que estouravam nas paradas.
Vejo isto hoje em minhas filhas. Parece que estão em constante disputa, e quando chegam as amiguinhas não é diferente; disputa-se até quem é mais amiga de quem. Em visita a um casal de amigos, eles me apresentaram a netinha de 2 anos de idade. A avó dizia: "mostra o barrigão para o tio", e aquela jóia linda levantava a camiseta e falava 'baigão', e estufava a barriguinha. Com isso aprendo a lição que para ela o 'baigão' era sinônimo de status, embora ela nem saiba o que é isto.
Não precisa estudar muito para descobrir que por natureza gostamos de aparecer. Até a timidez é uma forma de chamar a atenção, pois uma pessoa tímida se destaca das outras.
Também podemos observar isto nas discussões em grupos. Quando duas pessoas estão discutindo e as outras olhando, nenhuma das duas quer "perder". Vejo isto em mim mesmo e nas pessoas de meu convívio. Minha mãe discute com meu pai se a aventura do carro que-brado foi em 1970 ou 1968. Meus amigos de trabalho discutem se o jogador tal foi do time tal no ano tal. Vou jantar na casa de um casal e vejo discutirem se foi a tia Maria ou a Tia Virgínia que quebrou o braço em 1995; e assim vai...
Por coisas tão irrelevantes discutimos, e tudo isto pode estar escondendo apenas o fato de querermos aparecer. E pior que isto é que por trás pode existir um sussurro em nossos ouvidos dizendo: "Façamos um nome".
Mas o que importa é que isto agora acabou, ou deveria ter acabado, pois a bíblia é clara neste aspecto - Jesus com o Seu precioso sangue nos resgatou da nossa vã maneira de viver, que por tradição recebemos dos nossos pais (1Pe 1.18). A palavra "vã" quer dizer sem valor, não serve para nada. Deus olha dos céus e nos vê vivendo de uma forma que não tem sentido, como um cachorro correndo atrás do rabo. E o pior é que aprendemos isto de nossos pais, ou seja, tradicionalismo puro.
Somos ensinados que vence quem se destacar mais - e levamos isto para as nossas igrejas: vale quem canta melhor, quem toca melhor, quem prega melhor, quem ora melhor, quem se comporta melhor...
Aos nossos olhos isto tem peso de glória. Mas se colocarmos na balança de Deus, não terá peso algum - Pesado foste na balança, e foste achado em falta (Dn 5:27).
O sussurro em nossos ouvidos continua: "Façamos um nome!"
Quando O noivo nos convida para o reino, devemos nos assentar nos últimos lugares, ficar lá embaixo mesmo, e Ele pessoalmente vem e diz: "Amigo, sobe mais para cima!" – Porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado (Lc 14:10,11).
Gosto de imaginar a cena, você sentado ali sem se preocupar com posições, pois a festa é do noivo e ele é quem deve aparecer. E de repente você escuta:
- Hei! Psiu! Você olha e vê o Mestre com um sorriso e a mão estendida.
- Amigo vem! Quero você mais próximo de mim. E você vai, sem se preocupar com posição. O que importa é que o Mestre lhe conhece, e Ele lhe chamou e lhe colocou ali. Ele sabe o que faz, a festa é dEle.
Mas infelizmente não é o que meus olhos têm visto... Pessoas têm feito do evangelho uma cadeira nos primeiros lugares. Vale tudo! Desde falar em línguas estranhas, até profetizar o besteirol do dia. O que importa é ser conhecido e ter o reconhecimento, ser uma pessoa de nome e renome.
A igreja perdeu seu sentido, deixou de ser um lugar onde temos tudo em comum, onde Deus é o elo que nos liga, o centro de todas as coisas - passou a ser um lugar onde se faz um nome.
Não consigo entender quando sabemos que devemos diminuir para que Ele apareça e vemos CDS intitulados "evangélicos" onde a capa é um verdadeiro Book, com fotos de todos os ângulos do cantor ou cantora. Você já se perguntou o por que da foto? Não teria por trás disto um sussurro: "Façamos um nome!"?
Pastores são conhecidos não pelo amor que exercem para com o próximo, mas pelo tamanho de suas igrejas, pelo número de membros ou por ter um programa no rádio ou na televisão. Igrejas são conhecidas, não por cair na graça do povo, mas pelos seus excelentes músicos, por suas fórmulas de ganhar dinheiro, ou ainda pelos seus "sinais e prodígios".
Ouve-se: "Façamos um nome!". Vamos! Façamos um nome! Construiremos uma torre, seremos vistos e conhecidos por todos. Novamente o homem está construindo a torre - a torre da fama, do ego e do orgulho. Basta levantar os olhos e ver a confusão em que se encontra o cristianismo hoje. Babel está de volta!
Quero ser conhecido sim, mas pelo meu Senhor... Ele está voltando novamente e colocará esta torre no chão, e quando Ele chegar sei que me reconhecerá, não por ver minha foto no jornal ou na capa da revista; não por ter gravado milhares de Cds; mas como amigo íntimo, cooperador de seu projeto, ministro de sua graça. Reconhecerei a voz do meu Mestre dizendo: - Vinde, bendito de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me.
Quando você escutar novamente a voz "façamos um nome", responda com autoridade:
- Somente um nome deve ser exaltado! Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira, e lhe deu o nome que é sobre todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. Este é o nome! Aleluia!
Acorda tu que dormes, pois o que é mais terrível em tudo isto é que por mais conhecido que alguém possa ser aqui neste mundo, não o impedirá de ouvir do próprio Cristo abertamente: "NÃO VOS CONHEÇO!"
Que ao nascer do sol até o lugar onde ele se põe, o nome do Senhor seja exaltado. Sobre todos os nomes. Não nos alegremos pelo nosso nome ser exaltado aqui na terra, mas por tê-lo no livro da vida; E Eu confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. (Ap 3:5)
Louvado seja o nome de Deus!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

CRISTO É DEUS ACIMA DE TODAS AS COISAS

M. Tapernoux
(Romanos 9:5)

O tema das glórias de Cristo é muito animador, porque desvia nossos pen-samentos de nós mesmos para engajá-los na excelência daquele que, por toda a eternidade, será o único objeto de nosso louvor e adoração. A alegria que a alma deriva de sua contemplação é, portanto, um antegozo do céu. Vemos Jesus, e este olhar nos transforma "de glória em glória na mesma imagem" (Hebreus 2:9, 2 Coríntios 3:18). Para o crente, é um meio poderoso para "ganhar a Cristo" (Filipenses 3:8) e para alcançar a meta proposta de João Batista: "Ele deve crescer e que eu diminua" (João 3.30). "Não eu, mas Cristo vive em mim", disse o apóstolo Paulo (Gálatas 2.20).
Este assunto é tão vasto que só vamos apresentar alguns pensamentos, espero que este estudo nos ajude a crescer no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, e para provar a excelência desse conhecimento, “... para em todas as coisas ter a primazia" (Colossenses 1.18).
Quando o Espírito revela a glória de Cristo na Palavra, várias vezes usa a frase "tudo". Estas palavras cada vez fazem ressaltar o esplendor incompará-vel de Sua glória, seja a existência eterna do Filho de Deus, Seu poder criati-vo, sua manifestação na carne, de sua obediência, sua relação com a sua Igreja, ou de Seu Senhorio presente e futuro. Nas manifestações de suas diversas glórias, aparece como o "Cristo que é Deus sobre todos, bendito para sempre" em sua pessoa adorável, como é em si mesmo desde a eternidade, Deus o Filho, agora e para sempre digno de todo o nosso amor e toda nossa adoração. "Tu és digno... O Cordeiro que foi morto é digno "(Apocalipse 5:9-12).
Nós consideramos as suas glórias de três diferentes pontos de vista, como afirmado no passado, no presente, ou futuro. No passado, o que se destaca é o poder do Filho de Deus, no presente brilha sua graça, e no futuro será manifestada sua supremacia.
1) No passado - As passagens que revelam as glórias de Cristo no passado em relação a todas as coisas se referem a duas classes diferentes de fatos: a criação e redenção. A divindade de Cristo brilha em um como em outro, com um brilho incomparável.
Tanto a epístola aos Colossenses, como aos Hebreus insistem no poder criativo de Cristo para demonstrar a sua superioridade absoluta sobre os anjos. Enquanto os anjos são apenas criaturas, "espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação" (Hebreus 1.14), Cristo é o Criador, "o primogênito de toda a criação" (Colossenses 1: 15). "Porque nele foram criadas todas as coisas que estão nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades: tudo foi criado por meio dele e para ele. E ele é antes de todas as coisas" (Colossenses 1.16-17). Em Hebreus 1.2 está escrito em poucas palavras: "Pelo qual também Ele (Deus) fez o universo." O universo como um todo, até mesmo seres invisíveis, foram chamados à existência pelo poder criativo do Filho de Deus, agindo em perfeita harmonia com o Seu Pai (Provérbios 8.27-31, Apocalipse 4.11). "Ele falou, e tudo foi feito, ele ordenou, e tudo" (Salmo 33:9).
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, mas Ele, Jesus, não só tem o poder criativo, mas também as coisas criadas são sua propriedade. Pela queda de Adão, toda a criação foi colocada sob as conseqüências do pecado e "sujeita à vaidade" (Romanos 8.20). O senhorio de Cristo sobre todas as coisas será mostrado somente depois da execução do juízo, que fará com que todo joelho se dobre diante Dele e toda língua confesse que ele é o Senhor para a glória de Deus Pai (Filipenses 2:10-11).
"Ele é antes de todas as coisas." Esta afirmação da Escritura, enquanto afirma a preexistência de Cristo, realça a sua glória divina como Criador. Para que Ele pudesse criar, era necessário que Ele existisse antes de todas as coisas que criou. Mas mais do que sua pré-existência, ela revela sua existência eterna, atributo exclusivo da Divindade: Antes havia uma coisa, o eterno "eu sou" - "Antes que Abraão existisse, eu sou" (João 8.58). O princípio do evangelho de João revela a existência eterna e poder criativo de Cristo, "a Palavra" divina. "No princípio era o Verbo" (1.1), e, em seguida, no versículo 3: "Todas as coisas foram feitas por intermédio dele e sem ele nada do que foi feito se fez". O apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios: "Para nós ... só ... um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas e nós por Ele" (1 Coríntios 8:6), o que significa que Ele é o Criador do mundo, e para nós, é o Criador nosso e nosso Redentor.
No entanto, a glória de Cristo adquiridos no passado pela obra da redenção, excede na medida em que O tem como Criador. De fato, uma palavra foi suficiente para criar mundos e trazer seres à existência, e também para levar a cabo a redenção "Por isso mesmo, convinha que em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote das coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo" (Hebreus 2.17). Ele teve que se tornar um homem, para sofrer e morrer para salvar os pecadores. O termo "todos" traz a completa identificação de Cristo com o homem e sua submissão voluntária a toda a servidão da condição humana. No entanto, ele nunca abandonou as perfeições morais associadas com a Sua divindade. Glorioso e "Evidentemente grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne, foi justificado em Espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória" (1 Timóteo 3:16).
Durante o curso da sua vida na terra, Cristo passou por testes que também os seus estão expostos em um mundo governado por Satanás. Sofreu por causa da maldade e hostilidade dos homens. Ele foi testado na sua capacidade como homem obediente e teve que passar pelas mais terríveis circunstâncias. Então foi "tentado como nós, mas sem pecado" (Hebreus 4.15). Para que possa compadecer-se das nossas fraquezas, como nosso Sumo Sacerdote. Apesar de ser um homem ressuscitado e glorificado, foi um homem em todos os sentidos aqui na terra, mas nunca se esqueceu o que ele encontrou em sua caminhada aqui. Além disso, seu coração está cheio de sentimentos para com os seus, que ainda enfrentam dificuldades, lutas, doenças, tristezas e perigos na estrada.
No final de sua carreira na terra, Cristo ainda teve que enfrentar a cruz e o sofrimento não só dos homens, mas também de Deus que o abandonou quando, carregado com nossos pecados se tornou pecado por nós. Tomou nosso lugar e do julgamento que merecíamos. Para realizar tal trabalho, tinha que ser o homem e Deus. "Porque aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude, e por ele reconciliar todas as coisas, se as coisas na terra ou no céu" (Colossenses 1.19-20). No homem, Cristo, toda a plenitude da Divindade habitava corporalmente (2:9). Em Cristo homem, Deus teve o prazer de reconciliar todas as coisas, tanto as terrestres como as celestes, fazendo por meio Dele, a paz pelo sangue da sua cruz. Toda a criação, manchada pelo pecado, estava separada de Deus para sempre. No entanto, Deus em Sua grande misericórdia, quis reconciliar e restaurar assim a relação eles antes que pecado destruísse tudo. A única base dessa reconciliação é o sangue de Cristo derramado na cruz pelo qual Deus fez a paz. Para os crentes, a reconciliação é um fato consumado, enquanto no que diz respeito às coisas criadas ainda é fato para o futuro. Os cristãos desfrutam seus resultados deste agora: "Agora vos reconciliou no seu corpo carnal pela morte" (Colossenses 1.21-22). Eles foram trazidos para perto de Deus, a quem eles chamam de Pai, eles tem o Espírito de adoção. Eles gozam dos resultados desta relação preciosa, esperando para serem apresentados como: "santos e imaculados e irrepreensíveis diante dele" (v.22), fruto supremo, desta gloriosa reconciliação.
Como todas as coisas, terrenas e celestiais, serão totalmente libertos do poder e da presença do mal apenas no estado eterno, quando Deus criar "novos céus e nova terra, onde habita a justiça" (2 Pedro 3:13) . Então, tudo será purificado por Deus de acordo com o valor total do sacrifício de Cristo. Verdadeiramente, "o Pai ama o Filho e entregou todas as coisas na sua mão" (João 3.35, 13:3), todas as coisas relativas à salvação dos pecadores, para cumprir seu plano de graça e para a execução das suas decisões tempo fixado por Ele.
O próprio Cristo declarou: "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai" (Mateus 11.27, Lucas 10:22), e depois de sua ressurreição: "Toda a autoridade foi-me dada no céu e na terra" (Mateus 28 18). Que glória! Mas também é um privilégio para nós, pela fé, antecipar o dia em que a glória de nosso Divino Salvador será revelada em toda sua glória diante dos céus e da terra!
2) No Presente – O poder criativo do Filho de Deus foi expresso através da palavra que trouxe todas as coisas à existência. No entanto, o mesmo poder assegura a continuidade e preservação da ordem que impede que todas as coisas se afundem em confusão.
)
"Nele tudo subsiste... Sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder "(Colossenses 1.17, Hebreus 1:3). Sem ele, toda a criação voltaria para o caos, ela não seria capaz de sobreviver por si só. Este poder divino de Cristo não pode, portanto, deixar de se desdobrar ao longo do universo. Não há evidência que sua atividade tenha diminuído desde a criação de mundos. Mesmo quando ele veio a terra como uma criança, envolto em uma manjedoura, ou quando ele foi pregado na cruz e colocado no sepulcro, continuava a sustentar "todas as coisas por sua palavra poderosa."
Quando ainda estava conosco, mostrou os efeitos desse poder em muitas ocasiões: como quando repreendeu o vento e as ondas e as acalmou (Marcos 4.39, Lucas 8.24), ou quando encheu de peixes as redes dos discípulos (Lucas 5.4-6, João 21.06), ou quando secou a figueira em um instante (Mateus 21:19). O dia virá, em que com a mesma palavra do Seu poder, o Filho o fará "passar" a primeira criação (Apocalipse 21.1) e a substituirá por um novo céu e nova terra, como está declarado no versículo 5: "Eis que faço novas todas as coisas."
Outra glória atual de Cristo vem da supremacia que Deus lhe concedeu sobre todas as coisas, pela Sua humilhação e obediência até à morte na cruz. Esta posição gloriosa é confirmada em muitas passagens da Escritura, incluindo em Efésios 1.20-23: "E (Deus) o fez sentar à sua direita nos lugares celestiais, muito acima de todo poder e autoridade, poder e domínio, e acima de tudo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no próximo, e colocar todas as coisas debaixo de seus pés e lhe deu o cabeça sobre todas as coisas para a igreja que é o Seu corpo, a plenitude d'Aquele que preenche tudo em todos." Na posição que o Pai lhe deu, Cristo não está sozinho, mas a Igreja está associada a Ele para compartilhar toda a glória que Lhe pertence, como homem obediente e vitorioso.
Deus "deu" Cristo para a Igreja que é Seu Corpo. Este dom é a maior prova do amor de Deus para a Igreja, teria algo mais precioso para o Pai do que seu próprio Filho amado? E não é só isso, mas Cristo foi dado à Igreja como "o cabeça sobre todas as coisas" para com Ele formar um só corpo (1 Coríntios 12.12), sendo ela "a plenitude d'Aquele que preenche tudo em todos". Cristo é a cabeça com o qual a Igreja é uma unidade vital no Espírito Santo. É a Ele associada, como "o cabeça sobre todas as coisas." E nela Cristo é exaltado, a Cabeça sobre todas as coisas, e Chefe de seu corpo, que é a Igreja. Essa glória que só a fé pode discernir hoje resplandecerá Dante dos olhos de todo o universo, quando Cristo voltar para reivindicar todos os direitos sobre da sua herança.
3) No futuro – Como vimos anteriormente, a glória de Cristo em relação a "todas as coisas" sobre o domínio universal será concedida por Deus, a Jesus, como resultado de sua humilhação voluntária e sacrifício na cruz. Estes direitos já pertencem a ele, mas serão exercidos somente após a execução do estabelecimento do seu reino, "Deus ... nos falou por seu Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas ... Todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Para a submeter todas as coisas, nada deixou que não está sujeito a ele, mas ainda não vemos todas as coisas lhe estejam sujeitas"(Hebreus 1.1-2, 2.8).
O título do herdeiro de todas as coisas que Deus deu ao Filho, envolvendo sua encarnação, morte, ressurreição e glorificação. Na verdade, só depois que Jesus cumprisse a obra da cruz, Deus poderia colocar todas as coisas debaixo de seus pés. Porque assumiu a semelhança de homens e humilhou-se e tornou-se obediente até a morte na cruz, Deus "o exaltou soberanamente e lhe deu um nome acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão no céu e na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai "(Filipenses 2.6-11).
Deus, ao Filho disse: "Pede, e eu te darei as nações a sua herança, sua posse os confins da terra" (Salmo 2.8). Cristo foi constituído herdeiro de todas as coisas, que é o universo, que inclui pessoas e coisas, como Filho -"Para a submeter todas as coisas, nada deixou que não está sujeito a isso." Deus revelou a nós e "o mistério da sua vontade de acordo com seu beneplácito, que ele intentou em si mesmo, para unir todas as coisas em Cristo, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão no céu, como que estão na terra"(Efésios 1.9-10). Esta passagem confirma que, quando concluída a sucessão de momentos diferentes e vier "a plenitude dos tempos", Cristo vai governar não só a terra, mas também dominar sobre todas as coisas no céu.
Certamente "ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele", mas no momento em que o Filho tomar posse desse legado glorioso que ainda está por vir, quando Ele vier em Seu reino. Mas agora, pela fé podemos contemplá-Lo à direita de Deus, coroado de glória e honra, e descansar na declaração divina, muitas vezes repetida: "Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés" (1 Coríntios 15.27, Efésios 1.22, Hebreus 2.8).
Quão precioso é o nosso privilégio de contemplar as glórias de Cristo! Esta contemplação fortalece a nossa afeição pelo Amado, anima a nossa comunhão com Ele que enfim nos leva a ficar perto Dele nos lugares celestiais. Nossos corações cheios por esta verdade gloriosa têm um desejo ardente de vê-Lo face a face, para prestar homenagem e adoração sem nenhuma imperfeição. Mas as afeições santas produzidas por esta contemplação também têm efeitos práticos no nosso caminho: um zelo maior no serviço ao Senhor, um testemunho vivo, uma esperança mais realista de sua vinda, a vigilância em relação ao mal e a firmeza no fazer o bem. “Deixe-nos ser concedida a graça de olhar mais e mais a glória de "Cristo que é Deus sobre todos, bendito para sempre", de modo a ser "transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor "(2 Coríntios 3.18), esperando o dia quando seremos perfeitamente semelhante a Ele!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Tempora, O Mores: É Sempre uma Falta de Amor Criticar e Julgar?

O Tempora, O Mores: É Sempre uma Falta de Amor Criticar e Julgar?: "Tornou-se comum evangélicos acusarem de falta de amor outros evangélicos que tomam posicionamentos firmes em questões éticas, doutrinárias ..."

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Centralidade e Supremacia de Cristo

“Este assunto ocupa integralmente não só o tempo presente, mas também o resto das nossas vidas”

Colossenses 1.9-29.

A cláusula no versículo 13 de Colossenses 1 representa amplamente o que há em meu coração durante este tempo: o Filho do seu amor 1. Disso resulta a posição que Cristo ocupa conforme a vontade do Pai: Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas nele subsistem, e em todas as coisas tem a preeminência: pelo qual Cristo em vós, (é) a esperança da glória.
Podemos sintetizar tudo isto na frase: A centralidade e supremacia do Senhor Jesus Cristo, e nisso ocupar integralmente não só o tempo presente, mas também o resto das nossas vidas.
A palavra de Deus traz para a vista quatro esferas em que esse pensamento e propósito de Deus concernente ao Filho do seu amor serão compreendidos. Há a esfera da própria vida individual do crente; em segundo termo, a esfera da igreja que é o seu Corpo; no terceiro lugar, a esfera do reino deste mundo, as nações da terra; e em quarto lugar, Ele como o ser central e supremo no universo inteiro, o céu e a terra e o que está debaixo da terra.
Nós não seremos capazes, neste tempo, de alcançar todas essas esferas e ver o que a palavra de Deus tem a dizer sobre o Senhor Jesus em relação a elas, mas o Senhor nos capacitará pelo menos no conhecimento de uma ou duas delas. Mas antes, recordo-lhes isto:

A centralidade e supremacia do Senhor Jesus são o eixo e a chave de toda a Escritura

Naturalmente, o próprio Senhor Jesus nos diz isso em Lucas 24. Ali o encontramos citando a Moisés, os Salmos, e todos os profetas, e o que diz concernente a Ele.
Em qualquer lugar que lermos a palavra de Deus, a interrogação que sempre deve estar em nossas mentes é: “O que isto tem haver com Cristo?”. Se você trouxer essa pergunta à sua leitura da palavra de Deus, em qualquer lugar que você ler (e isto não é dito sem entendimento) conseguirá uma nova compreensão da Palavra, você achará um novo valor em sua leitura, porque as Escrituras –todas as Escrituras– falam Dele. Ainda que você às vezes possa ter dificuldades esquadrinhando, ainda Ele está ali. O propósito final de todas as partes da palavra de Deus é nos remeter a Cristo.
Você não deve ler a palavra de Deus como história, narração, profecia, ou como só um tema em si mesmo sem se fazer sempre a pergunta: “O que isto tem haver com Cristo?”, e até que possa achar essa relação com Cristo, você não encontrou a chave. Você provavelmente estará pensando em certas porções difíceis da Escritura. Pensará provavelmente no livro de Provérbios, e dirá: “Que relação há aqui com Cristo?”. Uma simples sugestão iluminará esse livro em seguida: Em qualquer lugar que você leu a palavra Sabedoria, ponha a ‘Cristo’ no lugar de ‘Sabedoria’. Você transformou o livro e captou a sua essência, e isso é totalmente legítimo, apropriado, correto, e a leitura o demonstrará. Ele é a Sabedoria de Deus, o Logotipos eterno. Bom, bem rapidamente mencionamos isto, porque o que nós temos que ver é a centralidade e universalidade do Senhor Jesus, e ele está, pela vontade divina, no centro de tudo no universo, de cada fase e cada aspecto, e ele é sua explicação.

Também é a explicação da Encarnação

Isto não só é verdadeiro a respeito das Escrituras, mas também o é também em relação ao objeto e explicação de sua própria encarnação. Quando você está estudando a pessoa, a vida e a obra do Senhor Jesus, deve haver uma busca divina em seu coração, e essa busca deve apontar para os traços que sugerem a sua universalidade. Ao aproximar-se de novo à leitura da vida do Senhor Jesus com este pensamento, você não irá querer um simples estudo utilitário da Bíblia, mas verá que o seu horizonte se amplia e aumenta o seu próprio coração, lhe fazendo sentir a maravilha de Cristo.
Procurando esses traços de sua universalidade, não terá que ir muito longe para encontrá-los. Eles podem remontar-se às profecias sobre a sua encarnação ou pode achá-los na anunciação; podem estar nas palavras do seu precursor ou em seu nascimento, com todas as suas associações e incidentes. O universo está ali. Também estão esses traços em sua circuncisão. Na luz do resto das Escrituras (que são agora nossas no Novo Testamento) você encontrará que há traços universais inclusive em sua circuncisão, ou em sua apresentação no templo. Também estão em sua visita a Jerusalém, em seu batismo, sua unção, sua tentação, seu ensino, suas obras, sua Transfiguração, sua paixão, sua morte, sua ressurreição, sua ascensão, seu envio do Espírito, sua atividade presente, e sua segunda vinda. O que é universal está à vista. Cada uma destas coisas está marcada pelos traços universais, que se estendem até os mesmos limites do universo e abraçam todas as eras, as eternidades e todos os reinos. Este não é para nos um terreno desconhecido, mas o reiteramos para refrescar em nossa mente a maneira em que devemos considerar o Senhor Jesus.
Não estamos tentando fazê-lo maior do que ele é, mas sim entender as suas dimensões reais; e a necessidade do povo de Deus é ter uma nova apreensão da grandeza do seu Cristo, uma nova apreciação do amado Filho de Deus –e quão poderoso, majestoso, glorioso, e maravilhoso Filho ele é– e então recordar que o Filho foi dado. Isto nos fortalecerá, nos dará crescimento, e fará grandes coisas em nosso caminhar.
A centralidade e supremacia de Cristo na vida do crente

Vindo agora às aplicações mais específicas desta universalidade, às esferas da sua centralidade e supremacia já mencionadas, consideremos primeiro a sua centralidade e supremacia na vida do crente. Permite-nos olhar de novo esta palavra: «Cristo em vós, a esperança de glória». Você notará no contexto que o primeiro capítulo da carta aos Colossenses nos leva em seguida à mente e ao coração de Deus antes que o mundo existisse, e nos mostra o que está passando na mente e no coração do Pai em relação ao Seu Filho.
Isto é chamado o mistério, quer dizer, o segredo divino. É impressionante ver que antes que qualquer atividade criativa iniciasse, Deus já entesourava um segredo em seu coração. O Pai tinha um segredo, algo que ele não tinha mostrado a ninguém, nem dito a ninguém; um segredo acariciado, relacionado com o seu Filho. Fora do segredo do seu coração, que envolvia o seu Filho, em cada atividade sua através das gerações, ele estava ocupado de muitas formas, trabalhando com o seu segredo, envolvendo-o nessas muitas atividades, nessas muitas formas e maneiras de sua auto-expressão. Nunca o revelando, nunca proclamando o que estava em seu coração apesar das suas muitas palavras, mas escondendo-o, ocultando-o dentro de símbolos e tipos e muitas coisas. Todas elas envolveram um segredo, «o mistério».
Então à distância, na consumação, no final destes tempos, Deus enviou a seu Filho, o Filho do seu amor. Então, pela revelação do Espírito Santo, ele se agradou em dar a conhecer o mistério, em descobrir o segredo. E o primeiro capítulo da carta aos Colossenses assinala o ato incomparável, sem comparação, de tirar o véu do segredo do coração de Deus sobre o Filho do seu amor.
Leia-o de novo, cada fragmento: esse era o segredo de Deus. Tudo se resume nisto: “Para que em tudo tenha a preeminência”. Em todas as coisas; e então – e isto me maravilha; é algo que vai além do nosso entendimento– tudo isso, o segredo do coração eterno de Deus em sua poderosa manifestação, era ter a sua realização dentro do coração individual de um crente. E assim é até os nossos dias.
Este mistério é: Cristo em vós, a esperança de glória. Este segredo de Deus, o que Deus teve em seu coração desde a eternidade é: Cristo em vós. Quero enfatizá-lo uma vez mais.
Este segredo estava no coração de Deus desde a eternidade, para ser posto a seu tempo em nossos corações. O que estava na mente de Deus desde antes da fundação do mundo, tem o seu começo na recepção de Cristo no coração do crente individual mediante a fé.
Mas este não é o fim, é só o princípio. O que seguirá será a igreja, que é Seu corpo. Isto foi previsto e está completo no pensamento eterno, mas seguirá com a recepção de Cristo pelos crentes individuais.
Mas a igreja que é o Seu corpo também não é o fim. Será o centro de outra esfera: os reinos deste mundo, as nações que caminharão em sua luz. E então de novo, esse não será o fim, mas se estenderá para o universo inteiro. Não somente a humanidade glorificada, mas também os exércitos celestiais andarão em sua luz.

T. Austin-Sparks - Publicação: 06/10/2010 www.celebrandoadeus.com.br

quinta-feira, 31 de março de 2011

A visão de Deus Sobre a Cruz


A cruz estava acima de qualquer coisa para Deus Pai. Paulo escreveu: "Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demons¬trando a sua justiça. [...] no presente [...], a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3.25,26). Na época do Antigo Testamento, Deus aproximou-se de homens como Abraão, Moisés e Davi e de vários outros dos quais os pecados ainda não haviam sido definitivamente removidos. Visto que o sangue de animais era apenas simbólico, Deus optou por salvar essas pessoas em confiança. Esque¬ceu-se dos pecados para que pudesse ter comunhão com eles, mas o valor do resgate ainda não havia sido pago. Dessa forma, para se certificar de que nin¬guém questionaria sua justiça, Cristo morreu para pagar a dívida por eles e por nós.
A obediência de Cristo como o Cordeiro de Deus foi preciosa para o Pai. Paulo afirmou que devemos levar uma vida de amor, "como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus" (Ef 5.2). A disposição demonstrada pelo Filho, sofrendo de acordo com o plano divino, foi um sacrifício de aroma agradável a Deus.
Deus agradou-se do sacrifício de seu Filho. "Con¬tudo, foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor tenha feito da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolonga¬rá seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão" (Is 53.10). Se fizermos a pergunta "Quem matou Jesus?", nossa primeira resposta não deverá ser "Os judeus", ou "Pilatos", e sim "Deus". Deus es¬magou seu Filho. Pedro disse que ele foi entregue nas mãos dos judeus "por propósito determinado e pré-conhecimento de Deus" (At 2.23). Para deixar claro, de acordo com os planos do Pai, Jesus se crucificou.
Mas Deus chicoteou seu Filho, enfiou pregos em suas mãos e pés? Sem dúvida que não, essa cruel¬dade foi perpetrada por homens perversos. Ainda assim, aqueles pecadores realizaram o propósito de Deus. Devemos aceitar como fato o mistério de que a culpa pela morte de Jesus é de pessoas más — e mesmo assim era plano de Deus. Pedro, falando so¬bre todos os que conspiraram para crucificar Jesus, disse: "Fizeram o que o teu poder e a tua vontade haviam decidido de antemão que acontecesse"(At 4.28).
Por que o Pai faria tal coisa? John Piper respon¬de: "Ele fez isso para solucionar a discordância entre seu amor por sua glória e seu amor pelos pecado¬res". Deus não podia simplesmente deixar que o passado ficasse para trás. Assim, antes do início dos tempos, Deus Pai e Deus Filho concordaram em um plano pelo qual a iniqüidade de todos nós seria colo¬cada sobre Jesus. Ele toleraria nosso castigo a fim de que pudéssemos ser absolvidos pelo Pai. O pecado seria apresentado horrível como é, e Deus seria apre-sentado como o Deus amoroso que é. Na cruz, a santidade inexorável colidiu com o amor, para a mú¬tua satisfação de cada característica.
Hoje, freqüentemente ouvimos dizer que Deus perdoa o ser humano baseando-se no seu amor, não no sacrifício expiatório. A mente moderna, ao procu¬rar justificar o pecado, acha difícil entender que Deus não pode estender sua graça aos pecadores até que a santa justiça esteja saciada. Ontem mesmo, foi-me dito que era arrogância sugerir que um popular líder de uma religião oriental (obviamente um bom homem) fosse proibido de entrar no Paraíso. Mas a resposta bíblica é esta: apenas os que foram protegidos da ira de Deus pela morte de Cristo serão salvos. Ou, para expressar isso de modo mais positivo, somente os que possuem a virtude de Cristo como crédito, poderão entrar na presença de Deus.
Até mesmo no Paraíso, a cruz será lembrada. Quando foi permitido a João vislumbrar os céus, ele chorou, porque não foi encontrado alguém que pu¬desse abrir o livro que representava o titulo de pro¬priedade do universo. Mas em seguida lemos:
Então um dos anciãos me disse: "Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos". “Depois vi um Cordeiro, que parecia ter estado morto, em pé, no centro do trono, cercado pelos quatro seres viventes e pelos anciãos" (Ap 5.5,6). Um Cordeiro, que parecia ter estado morto! Martinho Lutero debatia-se freqüentemente con¬tra a incerteza e o Diabo. Ele estava ciente de que somos facilmente iludidos por causa de uma história sobre são Martinho, a figura histórica que havia inspi¬rado seu nome. A história conta que são Martinho teve uma visão de Cristo. Mas quando olhou para suas mãos, a fim de certificar-se de que lá estavam as mar¬cas dos pregos, os furos desapareceram. Então, ele jamais soube se havia encontrado Cristo ou o Diabo. Existem muitos "cristos" nos dias de hoje, mas eles não possuem as marcas dos pregos. Temos pro¬fessores e gurus que nos dizem como obter vida mais feliz e produtiva. Ensinam-nos como "entrar em con¬tato com a parte mais profunda de nosso ser" e como ser espiritual sem ser religioso. No entanto, o que milhões não possuem é um Deus com feridas, um Deus que veio ao mundo sofrer por nossa causa, para que pudéssemos ser reconciliados com o Todo-Po¬deroso. Esse ato fundamental de redenção é tão im¬portante que transformou o imutável. Aliás, o céu está diferente por causa "do Cordeiro que foi mor¬to". O sangue se foi, mas a cicatriz permanece como lembrança de nosso pecado e de sua graça.
Eu hei de reconhecê-lo, eu hei de reconhecê-lo, E redimido ao seu lado eu estarei. Eu hei de reconhecê-lo, eu hei de reconhecê-lo, Pelas marcas dos pregos em suas mãos. Ninguém experimentará o favor eterno de Deus se se desviar da cruz. A cruz é a dobradiça sobre a qual gira a porta da história. E o eixo que sustenta unidos os raios dos propósitos de Deus.
Os profetas do Antigo Testamento apontaram para ela, e os discípulos do Novo Testamento a proclamaram. Quando nos "agarramos à velha e áspera cruz", como nos incentiva o conhecido hino, não o faze¬mos por mero sentimentalismo. A cruz é o cerne de nossa mensagem e o coração de nosso poder para combater as trevas invasoras.

Clamores da cruz
As últimas palavras são sempre importantes. Mas certamente não existem últimas palavras tão importantes quanto as proferidas por Cristo na cruz. Ne¬las, vemos seu coração e seu amor pelo povo que estava sendo salvo por ele. Nesses brados, vemos o lado humano de Jesus. Suas feridas não foram trata¬das para que as nossas fossem. Suas aflições foram imensas para que as nossas fossem levadas embora. Isaías o descreveu: "Sua aparência estava tão desfi¬gurada, que ele se tornou irreconhecível como ho-mem; não parecia um ser humano" (Is 52.14). Ele não pôde ser reconhecido como a pessoa que era. Ele foi vítima de falsas acusações e de violência. Seus oponentes instaram com os romanos para que se li¬vrassem dele. E então seus inimigos se sentiram vingados ao ver os pregos, cheirar o sangue e ouvir os gemidos.
Imagine-o despido e preso pelos pulsos a uma coluna no pátio de Pilatos e então açoitado com chi¬batas que têm bolas de chumbo e lascas de ossos nas pontas. À medida que lhe golpeiam o corpo, formam-se bolhas de sangue, que os repetidos golpes trans¬formam em feridas. E então, a coroa de espinhos é pressionada contra sua cabeça, e o sangue mistura-se ao cabelo emaranhado. Ele tenta carregar a cruz, mas, quando começa a cambalear, Simão de Cirene é forçado a ajudá-lo. No Calvário, suas roupas são arrancadas, e ele sente "uma dor excruciante, como a de milhões de agulhas quentes, abalando o sistema nervoso". Ele então é colocado sobre a própria cruz, e seus executores batem longos pregos quadrados contra seus punhos. "Ao ter o grande nervo central perfurado, ele experimenta "a dor mais intolerável que um homem poderia experimentar [...] cada movimento do corpo sentindo essa terrível dor".
Mesmo em agonia, Jesus ainda era Rei. Mas ele põe de ponta-cabeça nossa visão de majestade. Leia atentamente as palavras de Brooke Foss Wescott: “A soberania demonstrada por Cristo na cruz é uma nova soberania. Destruiu para sempre a fórmula da lei do mais forte. Humilhou a petulância do falso heroísmo. Envolveu com uma dignidade que não perece a integridade do sacrifício. Deixou claro para o coração puro que a prerrogativa da autoridade é servir de forma mais abran¬gente. O Rei divino adquiriu domínio eterno ao morrer.”
Aqui está uma resposta para os que perguntam: "Onde estava Deus quando...?". Acompanhe-me em meus estudos e conheça a história de uma jovem que foi violentada pelo pai e, praticamente, jogada nas ruas aos catorze anos de idade. Agora, tendo aceitado a Cristo como Salvador, ela perguntou: "Onde esta¬va Deus quando me encontrava solitária e sofrendo? Onde ele estava quando meu pai, alcoólatra, nos acor¬dava às três horas da manhã e espancava-nos impiedosamente em nossa cama?". Ela disse ainda: "Sei que Deus é meu Pai, mas parece que ele estava au¬sente quando mais precisei dele". Gentilmente, levei-a por uma jornada no interior do coração de Jesus. No sofrimento de cruz, não encontramos apenas perdão, mas também cura para nossas mais profundas mágoas. Assim como na cruz, ocorre uma permuta pelos nossos pecados — nossos pecados são creditados a Cristo, e sua justiça é credi¬tada a nós —, nossos fardos emocionais também são transferidos para os ombros dele. Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos castigado por Deus, por Deus atingido e afligido. Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feri¬das fomos curados (Is 53.4,5). Ele tomou sobre si nossas enfermidades.
Isso não significa viver emocionalmente tranqüi¬los, assim como não podemos viver livres do pecado. Mas podemos ser confortados com a firme convicção de que as piores injustiças da humanidade foram levadas em conta. A cruz foi o maior ato de Deus para nos alcançar, e é aqui que nos identificamos mais intimamente com Cristo. Obviamente, não temos como repetir sua experiência, mas podemos nos iden¬tificar com suas feridas. Conforme aprenderemos, Cristo foi abandonado para que fôssemos acolhidos. Ele experimentou o inferno para que pudéssemos ex¬perimentar o céu.
Ele morreu para que também fôssemos fisicamen¬te curados? Sim, ele nos redimiu por inteiro — corpo, alma e espírito. No entanto, seria um erro presumir que podemos ser curados a qualquer mo¬mento e que temos o direito de "reivindicar a nossa cura". A Bíblia deixa claro o fato de que não vemos a consumação de nossa redenção nesta vida. Assim como derrotou a morte, ainda que tenhamos de sofrê-la, ele também adquiriu para nós um novo corpo, que aguarda a ressurreição. Os que querem tudo neste mundo enganam multidões que caem vítimas da teologia da prosperidade. Nesta vida, recebemos o perdão pelos nossos pecados e o Espírito Santo como um adiantamento da glória futura. Mas o céu ainda não é aqui. A cura física, embora tenha sido compra¬da, ainda deve aguardar.
A cruz lembra que nossa auto-condenação deve ter um fim. Já não precisamos ficar lembrando o passado. Não devemos pensar que Deus nos vê como nós nos vemos. Receber o perdão de Deus e estendê-los aos outros é tanto privilégio quanto responsabi¬lidade. Richard Foster escreveu: "Hoje o coração de Deus é uma ferida de amor aberta. Ele sente dor com nosso distanciamento e se preocupa. Lamenta por não nos aproximarmos dele. Entristece-se por termos esquecido dele. Chora ao ver nossa obsessão por querer mais e mais. Anseia pela nossa presen¬ça".8 Ele foi preso por mim, ferido por mim, rejeita¬do por mim e surgiu em novidade de vida por mim. Dietrich Bonhoeffer estava certo quando disse que a culpa é um ídolo que algumas pessoas se recusam a abandonar. Devemos aceitar com ousadia o que Deus nos oferece, em vez de lhe dar às costas. Alguns acham que estão fazendo um favor a Deus quando se recusam a aceitar seu perdão, raciocinando que ele está tão bravo que prefere não os ver de forma alguma.
Pessoas assim insultam a Deus, pois vivem como se a morte de Cristo não fosse o bastante para seus pecados. Não tenha dúvida. Ele é capaz de salvar todos os que optarem por crer. Suas feridas foram a prova de seu amor. “De sua fronte, pés e mãos vem um amor que faz irmãos. Unem-se nele dor e amor, a coroar o Redentor.”Meu computador sublinha, imediatamente, com uma linha vermelha ondulada todas as palavras que contenham erros de grafia. Algumas vezes ele também sublinha palavras corretamente grafadas, mas a linha vermelha só aparece nas palavras que não estão registradas no programa. O computador que estou usando não reconhece a palavra "quebrantamento". Infelizmente, muitos de nós também não reconhecem essa palavra. Sabemos o que é estar quebrado, mas não experimentamos o quebrantamento, palavra que nos lembra que na cruz se acaba toda auto-exaltação, e somos apresentados ao mistério da von¬tade providencial de Deus para nós. Na cruz, chegamos ao fim da busca egoísta e rejeitamos para sempre a noção de que somos dignos de cooperar com Deus em nossa salvação.
Na África, um incêndio devastou um casebre, queimando rápida e intensamente, e matando todas as pessoas de uma família, exceto uma. Um estranho foi visto correndo para dentro da casa em chamas. Ele tomou um garotinho das chamas, colocou-o em segurança e então desapareceu na escuridão. No dia seguinte, a tribo reuniu-se para decidir o que fazer com o garoto. Talvez, devido a superstições, deduziram que se tratava de uma criança especial, visto que sobrevivera ao incêndio. Um sábio insistiu em adotar o garoto, mas um homem rico considerava-se mais qualificado. Com o decorrer da discussão, um jovem desconhecido dirigiu-se ao centro do círculo e insistiu em que tinha precedência na adoção da criança. Então mostrou-lhes as mãos, queimadas pelo fogo da noite anterior. Era o homem que salvara o menino e por isso insistia em que a criança era sua por direito. Da mesma forma, nosso Salvador, com suas cicatrizes, reivindica-nos para si. Os outros deuses eram fortes, mas tu eras fraco, Eles cavalgavam, mas tu cambaleaste até teu trono Mas com nossas feridas, somente as feridas de Deus podem falar, E nenhum Deus possui feridas, senão somente tu.
Um Deus com feridas! Jesus não se calou na cruz. Se voltarmos nossa atenção para os brados dele, encontramo-nos em solo sagrado. Os brados de Jesus revelam os mais profundos anseios de seu coração. Aqui, vemos o último ato de sofrimento altruísta. Junte-se a mim em uma jornada que nos fará excla¬mar: "Veja como ele nos amava!"


Os Brados da Cruz - Erwin W. Lutzer – Ed. Vida